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British Council Colombia
United Visual Arts
Sound & Vision
New Routes, nº 3, 2004

Com um leque cada vez mais amplo de tecnologias digitais instigantes a seu dispor e uma longa fila de DJs e músicos esperando para trabalhar com eles, os VJs, ou “vídeo-jóqueis” do Reino Unido estão incendiando o mundo

Será esta a década dos VJs? Apenas este ano, os VJs do Reino Unido conquistaram marcos sem precedentes: durante a turnê do álbum 100th Window, do Massive Attack, a United Visual Artists (UVA) projetou em enormes painéis de LED imagens ao vivo tiradas de bases de dados on-line; o Diesel-U-Music acrescentou uma categoria para VJs a sua série de premiações e premiou o Exceeda como grupo de VJs independente mais talentoso do país; o AVIT 2003 recrutou mais de 60 artistas internacionais para um festival de quatro dias em Brighton, o maior evento específico de VJs da história musical do Reino Unido. Esse reconhecimento dos VJs já era esperado há longa data, mas a julgar pelos projetos que serão apresentados ao público em todo o mundo, o “VJing” promete ser mais que uma moda passageira.

As raízes dos VJs são longas e sinuosas. A primeira vez que se integrou imagens em movimento a música em um contexto festivo parece ter sido em 1966, em um “Happening” oferecido por Andy Warhol. Na New Cinematheque de Nova York, Warhol projetou trechos silenciosos de seus próprios filmes ao som da música ao vivo do The Velvet Underground. Os anos 70 presenciaram uma gama de shows musicais que combinavam a apresentação com estímulos visuais: Genesis e Pink Floyd reinventaram os cenários teatrais; Jean-Michel Jarre agregou raios laser; Krafwerk usou computação gráfica animada; Queen produziu o videoclipe épico Bohemian Rhapsody.

A tendência cresceu como uma bola de neve. Em 1981, praticamente todos os artistas pop já precisavam ter um videoclipe para promover seu último compacto. Em pouco tempo, a quantidade de videoclipes de música pop já era suficiente para preencher toda a programação de um canal de televisão, e assim nasceu a MTV. O termo “VJ” logo foi cunhado para rotular o apresentador da MTV, uma transposição direta da expressão “DJ”.

Nos anos 90, os DJs surgiram como estrelas do fenômeno global da “cultura club”, passando para o centro do palco, posição antes monopolizada pelas bandas. Artistas visuais e designers logo se conectaram à ascensão dos DJs, re-apropriando-se do termo VJ. Para os fãs da “cultura club”, VJ não era mais o apresentador da MTV, mas sim o selecionador de imagens, o remixador, o produtor e o artista que se apresenta ao vivo.

As primeiras tentativas de colocar VJs no mesmo nível que músicos foram feitas através de apresentações audiovisuais realizadas em equipe e lançadas em CD-ROM. Timber, criado pelo Coldcut (Matt Black e Johathan More) e pelo Hexstatic, em 1997, foi um dos exemplos mais inovadores e talentosos de sua época. Nele, a música é produzida com o corte simultâneo e ritmado das imagens de vídeo e das trilhas sonoras. O resultado são associações entre som e imagem tão estreitas que o visual de Timber não “ilustra” a música somente; para ser mais preciso, ele “visualiza” a música.

Parece que o sucesso dos VJs deve-se em parte a seu engajamento com as novas tecnologias. Como fizeram com os CD-ROMs nos anos 90, os VJs podem mergulhar em um manancial cada vez maior de equipamentos para capturar, processar, ativar e exibir material visual. E o mais importante é que essas ferramentas tornaram-se muito mais potentes, compactas e leves. Uma nova geração de “VJs móveis” está aparecendo em suas apresentações carregando como hardware pouco mais que um PowerBook e aparelhos de DVD portáteis que podem facilmente ser guardados em uma maleta de alumínio do tamanho de uma caixa de discos de vinil.

Por outro lado, o The Light Surgeons é um contra-movimento importante, que evita o fascínio da nova tecnologia ao utilizar a maior variedade possível de recursos visuais.

É claro que usam imagens digitais, mas combinadas a vídeos analógicos, filmes de 16 mm e slides de 35 mm – projetando e irradiando padrões complexos de luz e sombra em uma série de telas.

A ferramenta mais útil do arsenal de um VJ é a internet. Através da web, uma nova geração de “VJs Móveis” está aparecendo em suas apresentações carregando como hardware pouco mais que um powerbook e aparelhos de DVD portáteis.

Um grande número de grupos de VJs de origem popular ganhou reconhecimento internacional. Outros fizeram questão de viajar para se apresentar em países “defientes” em tecnologia, usando a conscientização global como tema central de seu material visual. Os grupos Raya, YourMum e Yeast são três exemplos. As viagens que fizeram tiveram seus problemas e tanto artistas quanto anfitriões precisaram ser criativos para conciliar as apresentações dos VJs a contextos culturais e tecnológicos completamente diferentes. Mas essas trocas também proporcionaram ao público local outra visão do Reino Unido, uma faceta inspiradora, diferente do que se vê atualmente na arena política mundial.  

Em uma dessas viagens, em 2002, o Raya e o Yeast foram a Taipei (Taiwan) para se apresentar no encerramento da Sound Desing, exposição artística de capas de álbuns do British Council. Suas mixagens visuais incluíam trabalhos artísticos da exposição ao lado de faixas dançantes dos álbuns dos artistas representados. Na época, a cultura VJ praticamente não existia em Taiwan e o que o Raya conhecia sobre o panorama musical local era um tanto limitado, portanto, não sabiam o que esperar. Mas a multidão adorou. E mais ainda, conheciam todas as músicas, todas as capas dos álbuns. Parece que a visita deu a partida e o cenário dos VJs em Taipei está começando a se desenvolver.

Para o YourMum, o interesse era muito mais se engajar em um relacionamento criativo contínuo com os jovens e talentos locais da Tunísia. Alunos de artes ajudaram o YourMum a criar um conteúdo original, filmando cenas de rua, a arte do grafite e marcos culturalmente significativos dentro de um contexto de experiência profissional. Diversas apresentações resultaram desse projeto e mais algumas estão a caminho.

A aptidão de um VJ não está no fato de possuir todos os brinquedos tecnológicos mais recentes para fazer sua apresentação. Está no que é produzido com esses brinquedos e, mais ainda, entre eles. Como está subentendido na palavra jóquei, um VJ faz malabarismos, desliza e cavalga com uma variedade de talentos para produzir a melhor solução visual do momento. Essa capacidade pode ser aprendida enquanto se trabalha como VJ e depois aplicada a uma variedade de atividades, não importando o contexto social ou cultural. Um número cada vez maior de pessoas acredita nos valores educacionais do “VJing”: “O ‘VJing’ é uma modalidade cultural que une arte e tecnologia, expressão e técnica, habilidade e inspiração, planejamento e espontaneidade... A atuação de VJs é uma manifestação inventiva prontamente aceita por jovens que, por uma série de razões, acham que atividades criativas gratificantes são uma experiência rara. É bom lembrar que o ‘VJing’, principalmente por causa de sua ligação com a cultura club e com a atividade de DJ, está no sangue da maior parte dos jovens. Isto é uma vantagem quando se trata de ensinar algumas habilidades essenciais, já que o trabalho usa uma linguagem que conta com a receptividade dos jovens.” St. John Walker, do VJs.net

À medida que cresce o número de VJs, aumenta também a diversidade de locais criativos onde eles podem ser encontrados. Os VJs ainda trabalham com os DJs, mas  A ferramenta mais útil do arsenal de um VJ é a Internet. Através da Web, um grande número de grupos de VJs de origem popular ganhou reconhecimento internacional.

Cada vez mais estão trabalhando também com grupos musicais, artistas da dança e do teatro, com novos projetos de mídia e com shows audiovisuais auto-suficientes. A partir desses eventos, todo o tipo de artefato é produzido, marcando a presença do VJ e estabelecendo sua atividade como indústria. Festivais temáticos e clubes noturnos, software e hardware específicos, selos e agências especializadas, oficinas direcionadas, recursos e mercadorias on-line específicos.

O “VJing” está virando um fenômeno global, com estilos e especialidades locais em diferentes partes do mundo. No Japão, a atividade é fortemente relacionada ao design gráfico e à arquitetura. Na América do Norte, é muito comum encontrar VJs em novas galerias de arte e mídia. No Reino Unido, no entanto, a tendência está muito mais inclinada para shows em palco e seu relacionamento com a música ao vivo. Todos – desde os pioneiros dessa atividade no Reino Unido, como o Hexstatic e Matt Black, até as novas estrelas em ascensão, como o Yeast – possuem uma afinidade fantástica com os músicos com quem trabalham. Seja pelos selos pioneiros para VJs (Addictive TV), pela existência de VJs contratados nas principais estações de televisão (VJ Kriel) ou pelo reconhecimento internacional (D-Fuse, The Light Surgeons), o Reino Unido é um dos países que mais produz VJs talentosos no mundo.

É bem possível que o ponta-pé inicial da próxima invasão britânica seja dado pelos VJs. VJ Anyone trabalha na intersecção entre a “cultura club”, a nova mídia e a arte ao vivo. Escreve regularmente para o DJ Magazine e apresenta o VJ Culture, uma projeção bimestral, no Institute of Contemporary Arts (ICA). Para maiores informações sobre VJ Anyone, visite www.anyone.org.uk.

RECURSOS ONLINE

COLDCUT
Membro fundador da Ninja Tunes’ e VJ pioneiro

HEXSTATIC
VJ pioneiro e co-autor do Timber

UVA (United Visual Artists)
Os VJs que fizeram a turnê de lançamento de 100th Window do Massive Attack

EXCEEDA
Vencedores do primeiro prêmio Diesel-U-Music para VJs

THE LIGHT SURGEONS
VJs de fama internacional

D-FUSE
Produtores de shows ao vivo e projetos de DVD em todo mundo

ADDICTIVE TV
Grupo de artistas visuais, editores de criação, DJs, VJs e produtores que comandam seu próprio selo de DVD e produzem o show musical Mixmasters do canal de tv britânico ITV1

RAYA
Grupo de VJs bem-sucedido de origem popular

KRIEL
VJ contratado da BBC Radio 1

AVIT
Maior evento de VJs de 2003 no Reino Unido

VJs
Grupo de VJs patrocinado pela NESTA

VJ FORUMS
Centro de recursos on-line para VJs de todo o mundo

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