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Claudia Pucci
Diário de Bordo - International Residency – Royal Court
Descubra o que é fazer parte do grupo de dramaturgos do Royal Court em Londres através do Diário de Bordo de Cláudia Pucci, selecionada pelo British Council para estar entre eles durante três semanas.

Quarta semana

Nossa quarta semana começou com as apresentações de dez minutos de cada peça, oito na segunda e oito na terça-feira. O teatro estava lotado, o dia estava muito quente. Em dez minutos podemos ver quase nada da historia, mas era o suficiente para perceber o mundo interno de cada dramaturgo. A minha foi no primeiro dia, e era realmente engraçado ver atores ingleses dançando uma musica de Carmem Miranda - eu não tinha a intenção de escrever uma comedia, mas nesse dia acho que a leitura foi essa. Aproveitei para uma conversa final com Richard Bean, o dramaturgo que estava acompanhando o meu trabalho (cada um de nos tinha um dramaturgo para conversar) – um cara muito legal que parece com o Bill Murray. Perfeito, alias, porque muitas veyes a minha sensaçao era de estar “lost in translation”, com o perdão do trocadilho infame.

Depois de cada apresentação, festa com nosso grupo, atores e diretores no famosos bar do Royal, aula de salsa com os cubanos, e mais festa, festa, esta. E depois de cada festa, longas conversas nas escadarias do Albert Hall ou no Hyde Park, ate as 3, 4 da manha. Era a nossa ultima semana juntos, afinal. Ninguem queria pensar no ultimo dia, era um assunto proibido no grupo.

Nessa semana ainda conversamos com Mark Ravenhill e Michael Billington, critico do “Guardian”. Estavamos todos com cara de semi-mortos, devido as quarto horas de sono de cada noite, mas ainda era possivel raciocinar e dizer coisas inteligentes. E ainda fizemos uma pequena encenaçao com os textos vindos da pesquisa sobre patriotismo. Adivinha para quem sobrou fazer o brasileiro? Eu, que tenho uma relaçao de amor e panico com o palco, mais panico que amor, evidentemente, de repente me via falando, em ingles, o texto do jornalista que trabalha na cozinha e tatuou a bandeira do Brasil na bunda. E cortando cebola, segundo a direçao do Ramim. So rindo.

E mais festa na quinta, quando ficamos cantando no jardim do Royal. E sexta, cantamos no Karaoke, a festa de…ai…despedida…”Just a Perfect Day” era a nossa musica. Foi uma noite muito feliz e triste simultaneamente. Passamos por todos os rituais de adeus, cantando juntos na frente do palco, dizendo aquelas coisas que a gente sempre diz quando nao quer ir embora…Ai, como eh dificil o desapego! Nessa mesma madrugada, Gianina ja pegou o aviao, e Kim tambem voou nas primeiras horas da manha seguinte. E nos tomamos o ultimo café da manha com mesa cheia, depois ficamos vendo algumas fotos da residencia e dando risadas. Fui embora horas depois para a casa de uma amiga, ainda em Londres. Juro que nao poderia aguentar mais um dia no Beit Hall, despedindo de um a um. No caminho para o metro, junto com Apoo e Anders (que me ajudavam a carregar os 400kg de bagagem), era dificil falar. So consegui dizer que esses momentos especiais criam dentro da gente lugares sagrados, para onde podemos ir sempre. Sempre que a vida estiver dura. Um mes pode parecer pouco, mas a amizade que aqui foi compartilhada nao eh proporcional ao numero de dias vividos.

Nesse mesmo sabado, encontrei com Indhu, diretora maravilhosa que conhecemos no Brasil durante o workshop do Royal em novembro. Passamos a tarde conversando sobre as experiencias vividas e sobre projetos futuros. Abrir o futuro eh a melhor forma da nao ficar melancolica – o “adeus” vira “ate mais”. Realmente, minha sensaçao eh como se o mundo tivesse ficado menor, e projetos internacionais, antes coisa do outro mundo, me parecem perfeitamente viaveis. Passamos uma tarde maravilhosa. A noite encontramos com Cheddy e Lilian, os cubanos, que estavam preocupados com o que iriam encontrar quando voltassem, ainda mais depois do furacao que deixou Havana sem agua e sem luz por cinco dias.

E falando em futuros projetos, no domingo almoçamos com Elyse, Roxana e Indhu para começar a organizar o LAP – Latin America Playwrights – que tem o objetivo de promover um intercambio entre Mexico, Cuba, Argentina, Colombia e Brasil. Entre comida caribenha e cha ingles, os primeiros passos

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