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Nossa quarta semana começou com as apresentações de dez minutos de cada peça, oito na segunda e oito na terça-feira. O teatro estava lotado, o dia estava muito quente. Em dez minutos podemos ver quase nada da historia, mas era o suficiente para perceber o mundo interno de cada dramaturgo. A minha foi no primeiro dia, e era realmente engraçado ver atores ingleses dançando uma musica de Carmem Miranda - eu não tinha a intenção de escrever uma comedia, mas nesse dia acho que a leitura foi essa. Aproveitei para uma conversa final com Richard Bean, o dramaturgo que estava acompanhando o meu trabalho (cada um de nos tinha um dramaturgo para conversar) – um cara muito legal que parece com o Bill Murray. Perfeito, alias, porque muitas veyes a minha sensaçao era de estar “lost in translation”, com o perdão do trocadilho infame.
Depois de cada apresentação, festa com nosso grupo, atores e diretores no famosos bar do Royal, aula de salsa com os cubanos, e mais festa, festa, esta. E depois de cada festa, longas conversas nas escadarias do Albert Hall ou no Hyde Park, ate as 3, 4 da manha. Era a nossa ultima semana juntos, afinal. Ninguem queria pensar no ultimo dia, era um assunto proibido no grupo.
Nessa semana ainda conversamos com Mark Ravenhill e Michael Billington, critico do “Guardian”. Estavamos todos com cara de semi-mortos, devido as quarto horas de sono de cada noite, mas ainda era possivel raciocinar e dizer coisas inteligentes. E ainda fizemos uma pequena encenaçao com os textos vindos da pesquisa sobre patriotismo. Adivinha para quem sobrou fazer o brasileiro? Eu, que tenho uma relaçao de amor e panico com o palco, mais panico que amor, evidentemente, de repente me via falando, em ingles, o texto do jornalista que trabalha na cozinha e tatuou a bandeira do Brasil na bunda. E cortando cebola, segundo a direçao do Ramim. So rindo.
E mais festa na quinta, quando ficamos cantando no jardim do Royal. E sexta, cantamos no Karaoke, a festa de…ai…despedida…”Just a Perfect Day” era a nossa musica. Foi uma noite muito feliz e triste simultaneamente. Passamos por todos os rituais de adeus, cantando juntos na frente do palco, dizendo aquelas coisas que a gente sempre diz quando nao quer ir embora…Ai, como eh dificil o desapego! Nessa mesma madrugada, Gianina ja pegou o aviao, e Kim tambem voou nas primeiras horas da manha seguinte. E nos tomamos o ultimo café da manha com mesa cheia, depois ficamos vendo algumas fotos da residencia e dando risadas. Fui embora horas depois para a casa de uma amiga, ainda em Londres. Juro que nao poderia aguentar mais um dia no Beit Hall, despedindo de um a um. No caminho para o metro, junto com Apoo e Anders (que me ajudavam a carregar os 400kg de bagagem), era dificil falar. So consegui dizer que esses momentos especiais criam dentro da gente lugares sagrados, para onde podemos ir sempre. Sempre que a vida estiver dura. Um mes pode parecer pouco, mas a amizade que aqui foi compartilhada nao eh proporcional ao numero de dias vividos.
Nesse mesmo sabado, encontrei com Indhu, diretora maravilhosa que conhecemos no Brasil durante o workshop do Royal em novembro. Passamos a tarde conversando sobre as experiencias vividas e sobre projetos futuros. Abrir o futuro eh a melhor forma da nao ficar melancolica – o “adeus” vira “ate mais”. Realmente, minha sensaçao eh como se o mundo tivesse ficado menor, e projetos internacionais, antes coisa do outro mundo, me parecem perfeitamente viaveis. Passamos uma tarde maravilhosa. A noite encontramos com Cheddy e Lilian, os cubanos, que estavam preocupados com o que iriam encontrar quando voltassem, ainda mais depois do furacao que deixou Havana sem agua e sem luz por cinco dias.
E falando em futuros projetos, no domingo almoçamos com Elyse, Roxana e Indhu para começar a organizar o LAP – Latin America Playwrights – que tem o objetivo de promover um intercambio entre Mexico, Cuba, Argentina, Colombia e Brasil. Entre comida caribenha e cha ingles, os primeiros passos
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