Stewart Home, autor e artista, é um dos campeões da contracultura (counterculture) no Reino Unido. Ele esteve em São Paulo recentemente, com o apoio do British Council, para falar sobre seu trabalho e idéias. A seguir, seu depoimento sobre a viagem:
“Quando o British Council me enviou para São Paulo, eu certamente não estava esperando que o Brasil fosse algo parecido com o ambiente da Amazônia e sim com filmes italianos dos anos 70, variando de Make Them Die Slowly até Cannibal Holocaust. No entanto, o forte interesse que encontrei pela cultura européia e especificamente pela cultura britânica me surpreenderam.
Graças aos tradutores oferecidos pelo British Council, eu logo descobri que a edição em português do meu livro The Assault on Culture introduziu muitos sul-americanos às correntes pós-guerra avant-garde, variando de Situacionistas a Arte Auto-Destrutiva e este texto estava influenciando artistas brasileiros e ativistas anos depois de sua publicação inicial no Reino Unido.
Muitas pessoas que encontrei eram críticos da instituição de arte e a maioria parecia surpresa com o fato de eu ter críticas políticas e também estéticas a fazer sobre o trabalho de artistas britânicos como Tracy Emin e Rachel Whiteread. A complexidade do cenário cultural de Londres fascinou aqueles que vieram me ouvir falar.
E enquanto a arte britânica contemporânea gerou intenso debate, a paixão local por escritores de livros de histórias em quadrinhos britânicos provou estar ainda mais forte. Eu estava espantado com o interesse mostrado em meu trabalho, e fui assediado virtualmente depois que as pessoas perceberam que eu sou pessoalmente familiarizado com Grant Morrison e Allan More, grandes lendas de histórias em quadrinhos britânicas.
Eu estava surpreso com o conhecimento profundo que muitas pessoas tinham sobre rock britânico e fui apresentado a muitos músicos brasileiros incluindo o extraordinário Tom Zé e o hilariante Supla. Meu drink escolhido enquanto estava no Brasil foi de maracujá e também tive oportunidade de me entregar à minha obsessão pelo produtor cult local José Mojica Marins – Zé do Caixão.
Coffin Joe é um ícone no staff do meu promotor brasileiro Conrad e quando eles me enviaram para o programa de rádio, eu fiquei lisongeado por ser entrevistado por Andre Barcinski, seu biógrafo. Do mesmo modo, eu estava surpreso em encontrar um livro de fotos relacionadas a filmes de Ivan Cardoso entitulado “De Godard a Ze do Caixão” – um título que para mim resumiu a maneira como muitos dos meus novos amigos enxergam sua terra natal como primeiro país pós-moderno do mundo.
A Espanha nunca existiu como a imagem que contruí baseada em meu amor pelos filmes de vampiros lésbicos de Jess Franco, mas o Brasil provou ser cada pedacinho de Coffin Joe´s Awakening of the Beast.”
Para mais informações sobre Stewart Home, acesse: http://www.stewarthomesociety.org/
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