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Exquisite Pain & Bloody Mess
Forced Entertainment
Forced Entertainment
Apresentações do Forced Entertainment no Rio de Janeiro

“Exquisite Pain”

“Exquisite Pain” é uma performance baseada num texto da renomada artista francesa Sophie Calle. Nele, a partir da força da linguagem, da memória e do esquecimento, Sophie trata de questões como o trauma, o amor, as perdas e as histórias que as pessoas contam a elas mesmas sobre seus erros. No palco, duas pessoas sentam-se de frente para a platéia e desfiam histórias tristes dos outros. É como se tivessem sido testemunhas dos arquivos da artista, numa longa jornada sobre a viagem que ela fez entre as memórias e a necessidade de esquecê-las.

O interesse do diretor Tim Etchells pelo texto surgiu em dezembro de 2004, quando ele leu a versão impressa numa viagem de trem. Impressionado pela troca proposta pelo projeto – “I’ll tell you my sad story if you tell me yours” (eu te contarei minha triste história se você me contar a sua) – Etchells logo percebeu que tinha nas mãos um material que tratava de sentimentos compartilhados informalmente pela maioria das pessoas, em bares, carros ou quartos. Mas que, pelas mãos da artista, que destrincha, por exemplo, fracassos amorosos de amigos e de estranhos, se reduziu a uma essência psicológica e quase matemática.  

A absurda justaposição das micronarrativas chamou a atenção do diretor pela forma como caminhava para a auto-análise, auto conhecimento e auto comiseração. O primeiro ensaio aconteceu com as atrizes Cathy Naden e Claire Marshall, num lobby de hotel. Ali, segundo Etchells, ficou clara a necessidade de encenar o texto. Mas de uma maneira que a perfeição de “Exquisite Pain” ficasse exposta do jeito mais simples possível, do jeito menos teatral.

* Exquisite Pain é co-produzido pelo Teatro de Welt 2005 (Stuttgart), BIT Teatergarasjen (Bergen), The National Museum of Art, Design and Architecture (Oslo), Kaaitheater (Brussels), La Filature, cena nacional de Mulhouse, e Tanzquartier Wien.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Tim Etchells
Texto e imagens: Sophie Calle
Design: Richard Lowdon
Iluminação: Nigel Edwards;
Forced Entertainment é: Robin Arthur (performer), Tim Etchells (diretor artístico e dramaturgo), Richard Lowdon (designer e performer), e as performers Claire Marshall, Cathy Naden e Terry O’Connor.

“Bloody Mess”

Uma chefe de torcida delinqüente dança e grita. Uma luz pulsa, apontada para o chão. Dois palhaços já maquiados começam uma briga que ameaça tomar o palco. Uma mulher chora, pára, muda de roupa e recomeça. Os acordes iniciais de Deep Purple, talvez Black Sabbath, aparecem somente para serem substituídos pelas Suítes de Bach para Cello. A história do Big Bang começa a ser contada, mas é rapidamente interrompida. Um som, uma entrevista, um sedutor monólogo. Uma mulher vestida numa fantasia de gorila joga pipoca em tudo o que se move como um fantoche refugiado e demente. Dois homens bem vestidos dançam. Silêncio.

Bloody Mess, da companhia Forced Entertainment, desfia descrição e categorização. Marco dos 20 anos de trabalho do grupo em teatro, o espetáculo é um épico onde dez performers criam uma nova lógica a partir do encontro de histórias, ações e personagens desconexos. O desafio que cada ator faz à platéia – perguntando como gostariam de ser vistos do palco – gera conflitos inevitáveis: rivalidades, contradições e incompatibilidades. Mas, à medida que o desastre se instala e o show se transforma em caos, Bloody Mess se torna uma sucessão de elementos que formam um miolo inteligente, bem humorado e inesperadamente crítico.  

Nesta peça, segundo os críticos, a companhia se mostra em sua melhor forma, com um espetáculo visual descompromissado politicamente e ares de Pop Art, que tenta descrever o mundo contemporâneo em toda sua beleza, horror e complexidade. Bloody Mess é visto pela própria companhia como uma espécie de manifesto para o futuro. E a confusão que ela faz agora é grande e intensa.

* Bloody Mess é co-produzido pelo Festival Theaterformen (Hannover), KunstenFestivaldesArts (Bruxelas), Rotterdamse Schouwurg (Roterdam), Les Spectacles vivants – Centre Pompidou (Paris) e Wiener Festwochen (Viena) e apoiado por LIFT (The London International Festival of Theatre) e Nuffield Theatre Lancaster. Perfomances em processo foram co-produzidas pelo SpielArt Festival (Munique).

FICHA TÉCNICA:
Autor e concepção: Tim Etchells e a companhia;
Direção: Tim Etchells;
Designer de set: Richard Lowdon;
Iluminação: Nigel Edwards;
Direção de produção: Ray Rennie e Francis Stevenson;
Elenco: Robin Arthur, Simone Aughterlony, Davis Freeman, Jerry Killick, Richard Lowdon, Claire Marshall, Cathy Naden, Theresa O'connor, Bruno Roubicek, John Rowley;
Duração: 135 min;
Classificação etária: 16 anos;

TIM ETCHELLS

Tim Etchells é um artista, diretor e escritor, mais conhecido por seu trabalho com a companhia  Forced Entertainment. Os projetos do grupo excursionaram extensivamente em turnês pela Europa, Líbano, Canadá e Estados Unidos. Desde 1980, Etchells desenvolveu trabalhos em texto, fotografia, vídeo, performances, instalações e mídia digital, colaborando em grande escala com outros artistas visuais, coreógrafos e escritores. Os desdobramentos de seus trabalhos buscam uma nova forma e uma tentativa de alcançar diferentes maneiras apropriadas de comunicação em novos contextos. Conhecido por seu trabalho cômico e perturbador no mundo contemporâneo, Etchells publicou três importantes trabalhos: “The Dream Dictionary”, para o "Modern Dreamer" (publicado em 2001 por Duckworths), “Endland Stories”, uma coleção de ficção publicada pela Pulp Books, e “Certain Fragments”, uma coleção de textos sobre performance, publicada por Routledge.

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