Considerada um dos mais importantes eventos de arte no mundo, a 26ª Bienal Internacional abriu em São Paulo no dia 25 de setembro de 2004 com uma novidade: entrada gratuita. O número de visitantes chegou perto de 1 milhão incluindo o público cativo e também os novos interessados em produção contemporânea.
O tema proposto – Arte em território livre - vem das idéias de “território vazio” ou “terra de ninguém” - não apenas em termos geográficos, mas políticos, sociais e também estéticos, onde a arte desafia os limites da realidade. “A arte é um território livre à medida que foge do controle da política, da economia, do espaço físico”, segundo Alfons Hug, curador da exposição.
Nesta edição da Bienal 130 artistas apresentam suas obras, sendo 69 nas representações nacionais, 52 convidados para a mostra temática e 8 nas salas especiais, além de uma mostra dedicada a Cândido Portinari.
Como já é tradição desde 1951 quando houve a primeira edição da mostra, o British Council participa da Bienal indicando e patrocinando a presença de artistas britânicos, incentivando o intercâmbio entre Brasil e Reino Unido e auxiliando a organização da Bienal a trazer as obras dos artistas que representam. A seleção desses artistas segue vários critérios, entre eles escolher quem está despontando no Reino Unido e quem já tem um trabalho relevante no mundo das artes.
Em 2004, obras inovadoras de Simon Starling e David Batchelor e uma instalação inédita de Mike Nelson, indicado ao Prêmio Turner em 2001, marcam a participação britânica.
Serviço: 26ª Bienal Internacional de São Paulo Fundação Bienal de São Paulo - Parque Ibirapuera, Portão 3 De 26 de setembro a 19 de dezembro
Mike Nelson
O título de sua instalação para a 49ª Bienal de Veneza em 2001, The Deliverance and The Patience, se referia a dois navios que navegaram das Bermudas à Virgínia no século XVII. Com 16 salas interligadas e corredores espalhados por uma cervejaria desativada no Canal de Giudecca, em Veneza, a instalação contava uma história de pirataria celebrada no livro Cidades da Noite Vermelha, de William Burroughs, que teve grande influência narrativa e estrutural sobre a obra de Nelson.
Para criar sua nova instalação na 26ª Bienal de São Paulo, Nelson escolheu ocupar uma área do segundo andar do Pavilhão da Bienal, projetado por Oscar Niemeyer.
A obra, construída em quatro semanas com materiais locais, compreendia uma parede curva, medindo cinco metros de altura, que em parte avançava pelo salão principal da exposição, criando um espaço em forma de útero bem no centro do pavilhão. Uma porta de folhas duplas dava acesso a esse novo espaço construído em torno do hall de entrada do elevador de serviço. Em seu interior, subia-se ao mezanino por uma escada em caracol que o artista garimpou durante suas incursões a depósitos de materiais usados em São Paulo. O acabamento da superfície e a curvatura da parede faziam com que ela se integrasse ao entorno de modo a parecer parte do projeto original de Oscar Niemeyer. Em vista da atenção meticulosa dada a cada detalhe na sua ação e dos objetos e itens acrescentados ao espaço, esta nova e imponente obra de Nelson remetia tanto à história da Bienal e à visão arquitetônica de Niemeyer, quanto às relações complexas e aos sistemas de crença que elas representam para o Brasil e para a cidade de São Paulo.
Richard Riley Curador da representação britânica
David Batchelor
Simon Starling
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