Palestra com Fernando Reinach, Diretor Executivo da Votorantim Novos Negócios e fundador e coordenador do Projeto Genoma brasileiro.
A comunidade Alumni do British Council realizou em 27 de setembro último, a palestra “Empreendedorismo e Inovação com DNAs brasileiros”, com Fernando Reinach, Diretor Executivo da Votorantim Novos Negócios e fundador e coordenador do Projeto Genoma brasileiro.
Bem humorado, Fernando Reinach contou ao público presente um pouco sobre sua trajetória profissional e como o sucesso em sua carreira como pesquisador acadêmico de bases tecnológicas o levou a assumir a Diretoria das empresas Canavialis, que trabalha com tratamento genético de cana-de-açúcar, e Allelyx, que produz cana-de-açúcar geneticamente modificada; e juntas formam a Votorantim Novos Negócios.
Reinach explicou seu papel como diretor executivo da empresa, esclarecendo seus dois focos principais, o de diversificação, que busca novas oportunidades de negócios estratégicos, e o de capital de risco, focado em investimentos em alta tecnologia.
Sobre os investimentos, ou venture capital, na área de biotecnologia no Brasil, Reinach afirma que o maior problema é a atual cultura instalada nas universidades, que leva os pesquisadores a acreditarem que seria complicadíssimo conseguir fundos para financiar o desenvolvimento de suas descobertas. O próprio pesquisador tem se empenhado em desmistificar essa idéia através de palestras direcionadas à academia e visitas à universidades de ponta para tratar sobre o tema. Segundo ele, a universidade falha em não apontar caminhos para se lucrar com os resultados das boas pesquisas.
Em países mais desenvolvidos, com cultura mais tradicional de investimento em biotech, são os investidores que buscam os cientistas e disputam as boas pesquisas. Essa seria a situação ideal a ser conquistada pelo Brasil.
Quanto ao uso das novas tecnologias, como por exemplo os transgênicos, Reinach afirma que a inserção de toda nova tecnologia apresenta riscos. A questão que devemos nos colocar é sobre o valor que essa tecnologia pode agregar à sociedade em contraposição ao risco que ela apresenta.
Um exemplo disso é justamente a fabricação de aviões e sua liberação para comercialização, que se dá apenas após um número de horas de testes, digamos 100 h, estipulado pelo órgão regulador da Aeronáutica. No entanto, existem problemas que só aparecem após estas 100 horas de testes e outros que só aparecem após as 1.000 horas e com isso existe o perigo de se estender indefinidamente o número de horas para se obter cada vez mais segurança. Com isso, existe o perigo de “matarmos” o uso das novas tecnologias.
Esse mesmo problema ocorreu quando do início do uso da eletricidade em larga escala, já que também vivíamos o medo de potenciais vítimas causadas pelo uso dessa novidade tecnológica, a partir deste momento, presente em cada rua das cidades.
Segundo ele, a grande dificuldade da CTNBio é justamente estipular a quantidade razoável de testes antes de liberar uma nova tecnologia.
Quanto à produção de Ethanol como uma alternativa para a geração de energia, Reinach afirma que existe uma vantagem intrínseca dos trópicos em relação aos climas sub-tropicais que faz com que o Brasil seja um produtor natural de Biomassa por excelência. “Somos líderes nesta nova tecnologia. Nós a desenvolvemos e este é o melhor lugar do mundo para se produzir Ethanol. Não podemos, portanto, correr o risco de deixar passar este ciclo, este momentum, como tantos outros que já passaram. Será muito difícil escrever esta perda na história. “
O álcool brasileiro, segundo Reinach, é extremamente competitivo porque além de ser mais barato que a gasolina, está no começo de seu ciclo tecnológico, enquanto o petróleo está cada vez mais caro e mais difícil de ser encontrado. Com o seu barateio, o açúcar deve ficar menos importante, e o álcool por sua vez deve no futuro conquistar contratos internacionais de longo prazo. Atualmente o álcool representa apenas 1% do enorme mercado internacional de combustíveis líquidos.
Reinach comenta que a lei brasileira permite todos os experimentos com plantas transgênicas, contanto que a raiz não penetre no solo nacional, e para que a raiz possa penetrar na terra é preciso um autorização especial. Esses obstáculos, segundo ele, freiam o desenvolvimento de tecnologias, e pode ser até que o Brasil no futuro tenha que vender suas tecnologias para países concorrentes que permitam tais experimentos, o que seria uma “patetice inacreditável”. Reinach destacou também que já existem produtos transgênicos usados massivamente, mas a indústria, com medo da opinião pública, acaba escondendo o fato.
Finalmente, Reinach afirma que, ao contrário do que imaginamos, “as questões éticas acabam influenciando o desenvolvimento econômico de um país”.
Fernando Reinach comenta as opiniões dos convidados sobre:
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